Sunday, July 03, 2022

A morte líquida (Versão final, incluída no livro Tesserato)

 

O corpo parece, primeiramente, figurar como elemento que agrega todos os objetos da personalidade. Inclusive os objetos simbólicos, os jeitos, as posturas, o timbre de voz e todo o temperamento, além de vincular ferramentas como roupas, adereços e outras posses que constituem uma identidade.

Mas o corpo, por mais que seja o ligame dos objetos da personalidade, é também mais um objeto perecível. Como consequência, a cultura humana busca, muitas vezes, deslocar o indivíduo para fora desta figura, principalmente num duplo espiritual.

No entanto, é inevitável: as sandálias do falecido, seu chapéu, suas calças folgadas serão dispersos ou desmanchados para compor novas peças. Suas panelas serão carregadas pelos vizinhos, seu colchão acomodará sete crianças de um casebre na rua de baixo, sua dentadura será roubada por algum cachorro que procura osso.

A dispersão é a regra para todos os objetos, e, a partir desse fenômeno, também para a personalidade. A cultura ainda resiste: ela quer fazer sobreviver socialmente o nome, que é o principal objeto simbólico da personalidade, e, em torno da memória desse nome, reunir os bens remanescentes.


3

As identidades agregam coisas concretas e bens simbólicos e depois desaparecem, liberando esses objetos para novos vínculos. A existência é um tecido vivo onde aparecem configurações repentinas.

O tecido natural vibra, pulsa, como água fervente onde as bolhas explodem neste e naquele lugar e depois desaparecem. E outras bolhas serão formadas com o mesmo líquido.


4

Tão simples como um vaso de porcelana que arrebenta-se ao cair, e deixa os cacos espalhados. A morte é irreversível e assegura a irreversibilidade de todos os outros eventos. E recarrega o mundo, e o reorganiza.

Cada falecimento estremece a fronteira que separa os vivos dos mortos, daí provocar o medo duplo de que mais vivos morram ou que os mortos voltem. Medo de que a fronteira rompa-se e haja um desequilíbrio, e seja reunido o que está providencialmente separado.


5

Não há vida nem movimento nem força, nem matéria ou energia que valha-se de uma única partícula fundamental. Todo movimento é forjado por um conjunto. Não só os conjuntos participam dos movimentos como geram movimentos a partir de seus choques, reações químicas etc.

A união e a dispersão, a vida e a morte são locais críticos de reconfiguração. Na lei da inércia, os corpos tendem a ficar parados ou manter seu movimento até que uma força externa aja sobre eles. Mas os organismos vivos também movem-se ou são paralisados por forças dentro deles.

A sucessão de descontinuidades é regra tão absoluta e inescapável que só podemos supor duas coisas: todo equilíbrio é precário e a precariedade é o equilíbrio.

Outro aspecto a ser observado é que estes choques favorecem outros movimentos, não só porque liberam formas para novos arranjos, mas também porque criam vácuo no tempo e no espaço para essas combinações.

O universo, assim como o conhecemos, só funciona porque é descontínuo. Como um rio, só corre porque há acidentes no seu leito.


6

Numa coisa o homem puxou a Deus: nada o incomoda mais do que o vazio. Para o homem, então, vazio é melancolia, tédio, tristeza, e é a ameaça de morte iminente. O silêncio é assustador, o escuro é assombrado.

Do nada, do fundo do éter, o caos nos observa e afia as suas unhas, escondido. Por que temos esse medo, essa expectativa de que algo vai brotar eruptivo do vazio? E por que assim, inesperadamente, de forma a suprimir todas as outras coisas, para tragar um universo enorme? Quando foi que isso já aconteceu?


7

Orfeu, poeta mítico, após a morte da sua amada Eurídice, vai ao inferno resgatá-la. Como forma de agradar Hades, rei dos mortos, Orfeu entoa uma canção de amor tão comovente que todas as almas do inferno choram.

Então, Hades consente em devolver-lhe a mulher, mas impõe, como condição, que até a saída do inferno Orfeu não olhe para Eurídice. O poeta não resiste, porém, olha-a e perde–a para sempre, e retorna sozinho ao mundo dos vivos.

Sempre me perguntei por que Orfeu não resistiu e voltou os olhos para Eurídice antes de sair do inferno. Cheguei mesmo a duvidar do seu amor por ela, como se tivesse lhe bastado a vaidade de convencer Hades.

Por fim, ocorreu-me que esse mito, como todos os outros, encerra uma sentença, uma moral, e que antes de perguntar por que Orfeu transgrediu a norma, devemos saber por que a norma existiu, porque ele foi proibido de olhar para a sua amada.

A resposta que me pareceu óbvia é que Eurídice estava morta, portanto não podia ser desejada. Talvez, depois que regressasse do inferno e voltasse a viver, ela pudesse ser objeto de amor, de admiração, do “olhar” apaixonado. Enquanto falecida, porém, não poderia sequer ser considerada. Essa é a regra de interdição do morto, que não pode ser cobiçado.

Então, como trazer da morte alguém amado, se é proibido amar — tanto — essa pessoa?


8

Prezados Professores da Universidade Federal de Ciências,


Bem sabem que ainda não sou um acadêmico. Nem mesmo um interlocutor muito qualificado para fazer proposições no terreno da Física. No entanto, como a observação muito próxima pode, algumas vezes, prejudicar o foco sobre as coisas, atrevo-me, justamente por olhar de longe, a fazer as seguintes ponderações sobre energia e matéria escuras:

a) O modelo padrão cosmológico permitiu que algumas correntes considerassem a possibilidade de haver “dimensões enroladas”, dimensões encolhidas. Isso seria providencial para a elaboração de uma teoria unificada das quatro forças universais conhecidas – gravidade, eletromagnetismo, força nuclear forte e força nuclear fraca. Essas “dimensões” permitiriam explicar certa perda da gravidade, que parece “escapar” deste universo. Neste mesmo sentido, perduram diversas indagações sobre o big-bang e sua relação com os buracos negros, como se estes últimos fossem novos big-bangs que originam universos paralelos;

b) Por outro lado, as ideias de energia e de matéria escuras nos sinalizam forças colossais, também desconhecidas, que atuam sobre o movimento dos grandes conjuntos estelares;

c) Nesses passos, de uma força que some e outras que aparecem, restou-me perguntar: a energia escura não seria a gravidade que escapa de algum momento anterior ou futuro? E não seriam as “dimensões enroladas” uma dimensão só, o tempo, que teria fluxos ainda não calculados?

d) Já que tem sido usual na crônica científica mais popular – e eu, como cidadão simplório almoço nesse andar térreo – usar sempre uma metáfora ou desenho para explicar conjecturas diversas, proponho uma que me serve para visualizar o absurdo que sugeri: imaginemos uma bordadeira que, com a ajuda de uma agulha, faz uma linha atravessar o tecido diversas vezes, até obter uma figura qualquer. Suponho, então, que até hoje vivemos na superfície do bordado, e vemos aparecerem pontos dia após dia, sem conceber a continuidade entre eles. Bom exemplo poderia ser o elétron, que some e depois aparece numa órbita mais carregada, e não sabemos onde esteve nesse meio-tempo, nem mesmo se frequentou um "subsolo" temporal.

e) Seria o caso, portanto, de considerar-se um modelo transcendente – que esta palavra esteja despida de todo misticismo —, que não mais leve em conta dimensões mínimas, mas tome o conjunto energético universal através dos tempos.

f) Como viram, fiz questão de demarcar a possibilidade de uma corrente de força gravitacional vinda do futuro, o que é apenas uma hipótese absurda dentro de uma proposição mais absurda ainda. Mas, já que estamos neste cogitar, por que não considerarmos que até mesmo as leis de causalidade, do fluxo unidirecional do tempo, podem ser revistas, de modo a obter-se uma configuração mais ampla da corrente temporal e de seus desdobramentos?  

Agradeço por sua paciência.

Thursday, June 30, 2022

 Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito.” 

 

Poeta William Blake, em 1790

Thursday, May 13, 2021

Os fascistas vistos como gente normal



O antropólogo Oscar Calavia Saez, espanhol que viveu sob o regime franquista, e que ensina na Universidade Federal de Santa Catarina, escreveu em 2014 esse texto que é muito atual:

Se todos os fascistas gastassem seu tempo em orgias perversas de matar gatos a cabeçadas não seriam um perigo geral. Porém, por desgraça, costumam ser gente muito mais normal.

Para começar, é bom recordar que há formas extremas de opressão, exploração, violência e enganação massiva que não são fascistas. O fascismo é uma variedade, não um grau.

Falar de fascismo é uma merecida homenagem à sua primeira versão, porém cada fascismo tem suas peculiaridades, e os seguidores de alguns deles rechaçariam logo o nome.

Os fascistas também negam de cara ser de direita, e nisso vale a pena levá-los a sério: todos os fascismos assumem parte significativa do programa, as tarefas e os símbolos da esquerda, e prometem superar a obsoleta dualidade esquerda-direita; e o mal que podem fazer ocorre por isso, e não apesar disso….

Note-se, os fascistas não costumam tomar o poder mediante massacres. O mais comum são golpes contra sistemas que já caem de maduros, ou até por meio das urnas…

Os fascistas são populistas: se não têm gostos e ideias muito populares, como é mais comum, fingem tê-las... As elites geralmente os consideram uma ralé e um mal menor que, mesmo com algum incômodo, costuma trazer grandes benefícios... Os fascistas dependem de sua capacidade de gerar ódio na população, porém não um ódio simples, mas um que consiga unir todos. Seu inimigo ideal tem que estar ao mesmo tempo por baixo e por cima, ou seja; ser feio, miserável e canalha e ao mesmo tempo viver regiamente à custa do sangue ou dos impostos do povo…

Os regimes fascistas são difíceis de eliminar, entre outras coisas, porque costumam contar com apoio da população. Nem tanto pelo uso do terror, mas por recorrerem à burocracia, ao conformismo e a um calculismo muito corrente. Para disfarçar esse detalhe desagradável, quando o regime cai é normal exagerarem o seu aparato repressor; porém os fascistas não necessitam de enormes aparatos de repressão porque delegam à população a intimidação cotidiana…

O pior do fascismo não é a sua violência, mas sua devoção à simplificação e à contundência. Um fascista pode ser, digamos, uma pessoa boa, cheia das melhores intenções. O pior do fascismo não é o ponto de onde parte (É lá que a simplificação e a contundência conseguem alguns resultados “positivos”) mas o ponto onde acaba (onde a simplificação já não dá frutos, porém se pode seguir provando a contundência).

O original, em espanhol, está em

http://cafekabul.blogspot.com.br/2014/10/los-fascistas-vistos-como-gente-normal.html

Wednesday, September 04, 2019

Artigo da Revista M: Suicídio de escravos no Brasil

“Cuando se piensa en la melancolía de los esclavos, debe también tenerse en cuenta

la imagen del mar en algunos sistemas simbólicos y en el miedo que inspiraba. Para ciertas

culturas africanas, el mar, por su extensión, su profundidad, su carácter insondable y, en

ocasiones, su violencia “natural”, recordaba la ira divina o las ferocidades diabólicas. Se tenía la

creencia en algunas culturas de que el demonio se escondía en el fondo del mar, se imaginaba

que monstruos inicuos vivían en las entrañas del océano (Tempère, 2011, p. 2). La valoración negativa, temible, del mar, concebido como lugar de la muerte y de los muertos, en algunas comunidades africanas, intensificaría la aprensión y el desasosiego de quienes emprendían, cautivos, el viaje. Los valores psicológicos que estas comunidades proyectaban en el mar fueron numerosos. El mar fue la última morada de gran número de esclavos… El mar se mostraba así como una fuente de peligro y de muerte, como un sudario”

“Los temores de los esclavos frente a los blancos, antes y durante la travesía, como la

creencia de que se iba a hacer aceite con ellos, a arrancarles los ojos, a chuparles la sangre o

a comérselos vivos, fueron frecuentes y motivaron también el suicidio (Barcia, 2007, p. 363-

364; Robb, 2007, p. 19-20). En Cartagena de Indias, Pedro Claver relata el testimonio de José

Monzolo (1657), quien explicaba que los africanos creían que las banderas de los navíos, cuando

eran rojas, estaban pintadas con la sangre de los negros…”



Tuesday, July 23, 2019

Terceiros



Numa estranha manhã estávamos na agência dos Correios só homens, e Helena, uma mulher de meia-idade, bonita, chegou para tomar uma informação, gritando da porta para o atendente. Assim que ela se retirou os clientes na fila do balcão encetaram a conversa, primeiro em surdina, como se temessem a sua volta, depois mais relaxados.
— Mulher não dá sorte a marido! — Comentou um loiro, que tentava ser despachado primeiro.
— A qual deles? — Perguntou outro, mais atrás, um caboclo barbado com a camisa do Barcelona (ou era Paris Saint-Germain?).
— Já foram dois. O primeiro morreu de choque elétrico, o outro, de tétano — respondeu o gaiato que começara no assunto.
— E o atual também quase vai — gritou de dentro do balcão o atendente da agência. — Viajou com a gente para Barra e por pouco não se afogou no Rio São Francisco. Geraldão estava perto e puxou pelo braço.
— Olha aí o risco! – Retornou o loiro. Mas o torcedor do time estrangeiro deu outra opinião:
— Depende! Pode ser que pare no terceiro.
Com essa, o atendente baixou os olhos e mergulhou na papelada.
— Sim, os mistérios têm seus números, mesmo. Quem sabe? — Este era o vigilante da agência, um marmanjo avermelhado que pouco antes falava ao rapaz do futebol sobre saúde, ácido úrico e exercícios. No entanto, já havia se perdido a esperança de o diálogo tomar um rumo racional. O Saint-Germain (ou era Barcelona?) chutou:
— É como a moto dourada que o Raimundinho queria vender. O dono morreu numa batida e a moto não sofreu nada. Ficou para o Raimundinho negociar.
— Que foi que teve? — Indagou o loiro, tranquilo com a fila andando mais rápido.
— Um comprador da capital veio buscar, mas o carro dele virou na estrada.
Como a história ameaçava perecer, este que vos fala, escalado para ser apenas testemunha dos fatos e encaminhar discretamente uma postagem de livros, não se conteve e entrou em campo:
— E a moto, não foi vendida?
— Raimundinho desistiu de passar adiante — voltou o Saint-Germain. – Mas despertou a vontade de ser motociclista. Não naquela moto, assombrada. Resolveu ir em Feira de Santana buscar uma nova. Morreu na volta, de acidente de trânsito.  Se houvesse aceitado a dourada, tinha encaixado na posição certa. Seria o terceiro da fila. Número tem muita importância! 
O vigilante, após fazer complicados cálculos mentais, concordou com aquela súmula.
Chegou a minha vez de ser atendido. Vida que segue!

De como Romeu Raizeiro deixou de ser curandeiro



Eu vi aqueles três elementos aparecerem ao meu lado, eu deitado no meu quarto, na cama. Pareciam cachorros, dois pretos e um vermelho. As presas eram como facas afiadas, as bocas compridas de jacaré. 
Eles roeram todo o meu corpo do pescoço para baixo e levaram o resto pelo sertão adentro, atravessaram o Rio São Francisco até chegar em Sergipe. Esse caminho demorou muito no mato de noite. 
Então me jogaram no centro do terreiro de um pai de santo que eu não conhecia, e já estava tudo pronto. No chão tinha velas e duas galinhas mortas. O pai de santo mandou eu comer uma galinha, que assim eu ia ganhar todo o dinheiro aqui da cidade, dessas roças aí afora. Ia ficar rico, só teria que perder tudo três dias antes de morrer. 
Eu desconfiei daquela ideia. Disse a ele que só a Deus eu sirvo, e não comeria galinha nenhuma. O sujeito me chamou de teimoso e ordenou aos tais cachorros que me trouxessem para casa e, quando chegassem, acabassem de me matar. 
Novamente voltamos, atravessamos o rio e a mata e paramos aqui, mas não era o mesmo dia que saímos. Era a época de anos atrás, velhas estradas de barro que nunca conheci, casas antigas de palha, plantas altas que já não existem e um velhinho no meio delas, um sujeito magro, de costas, com as mãos levantadas ao céu. 
Os cachorros se diziam: “Vamos desviar do Atrapalha”. O velho ordenou que o chão se abrisse e os cães descessem pela fenda. Falou isso outra vez e a fenda abriu, mas os bichos quiseram voar, e voando mesmo estouraram como foguetes.
O santo, que era esse “Atrapalha”, me disse que eu queimasse todas as minhas coisas de curandeiro conforme me lembrasse delas. “O resto o dono virá buscar”. 
Assim aconteceu. Acordei na minha casa e, de duas vestes que encontrava, tirava só uma para queimar. De ferramentas e velas não foi tudo para o fogo, nem todas as folhas, nem todas as fitas. Dava-me pena, compreende? 
Mas no dia seguinte recebi a visita de um homem a quem eu devia, curandeiro ele também, e lhe entreguei o resto das coisas da casa, menos as imagens intocadas da devoção, de simples reza… Na mesma hora esqueci tudo. 
Eu, que sacudia das pessoas os maus ventos, tanto invocado como não, esqueci todo o preparo, esqueci os banhos, os fundamentos. De uma hora para a outra. Assim que eu parei pararam também os meus filhos de santo, e nem por pilhéria me meto hoje a curar na linha branca. 
Larguei a Linha Branca das Almas, porque havia invejosos da mão esquerda, e eles estavam de olho em mim, querendo me dominar. 
O que eu tenho hoje é isso: essas raízes, essas garrafadas que eu vendo, esse litro de mel e três livros de remédios de plantas. E a simples devoção, simples reza. Meu nome é só Romeu, não é mais “Pai”, não tem nada disso. E se precisar eu mudo de nome de novo, a qualquer hora, nem registro de nascimento vale. Porque nasci sem registro, sou antes um homem, só isso. Ou tudo isso...

Monday, July 22, 2019

Biblioteca do Paiaiá, no sertão da Bahia, terá Festa Literária Internacional de 24 a 26/7



O povoado de São José do Paiaiá, no município de Nova Soure, em pleno sertão da Bahia, sediará nos dias 24 a 26 de julho uma festa literária que reunirá escritores, professores, artistas de diversas expressões e lideranças comunitárias para debater a criação, a produção cultural e a difusão de saberes. Além disso, a II Festa Literária Internacional da Biblioteca do Paiaiá contará com atrações do Circo Premier, feira agro-ecológica e de artesanatos rurais, venda, troca e doação de livros e revistas, a Biblioteca Volante da Fundação Pedro Calmon, exposição sobre terceira idade e saúde da mulher, bumba meu boi, banda de pífanos, a Filarmônica de Nova Soure, peças de teatro, projeções de filmes e cavalgada.

Localizado na rodovia BR 110, a 231 km de Salvador, São José do Paiaiá está na rota do peregrino Antônio Conselheiro de Canudos pelos Sertões da Bahia e possui, segundo a professora Walnice Nogueira Galvão, da Universidade de São paulo, a maior biblioteca em comunidade rural do mundo , com mais de 120 mil volumes. A instituição, fundada por um ex-morador do povoado, Geraldo Moreira Prado, tem 17 anos de existência e promove com alguns parceiros toda a programação da festa.

Entre os temas na pauta de debates estão a vida cotidiana da juventude, educação no campo, cordel e aboio, histórias em quadrinhos, educação e culturas indígenas, leitura e políticas culturais nos municípios, leitura e matemática, memes didáticos e contos africanos. Também serão abordados a bioética, a ancianidade e o direito de envelhecer com dignidade.

Durante as atividades serão homenageados o escritor baiano Carlos Anísio Melhor, falecido em 1991, o trabalhador rural Luiz Saldanha dos Santos, integrante do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Nova Soure, e a yalorixá D. Durvalina, única mãe de santo da região.

Estão confirmadas as presenças do ex-ministro da Cultura Juca Ferreira, do prefeito de Conceição do Coité, Francisco Assis, da líder do Assentamento Cajuba, em Nova Soure, Raimunda Maria de Jesus, dos grupos de griôs de Santa Luz, dos escritores Aleilton Fonseca, Antenor Rita Gomes, Alex Simões, Darlan Zurc, Eraldo Miranda, Fábio Bahia, Franklin Carvalho, José Erenilson, Marcelo Torres, Uarlen Becker e do Quarteto Moxotó (Arcoverde-Pe). Além de educadores de instituições universitárias federais e estaduais e de gestores de bibliotecas, o evento mobiliza na sua organização jovens de várias escolas públicas das cidades vizinhas.

Foto: site da União de Prefeitos da Bahia


Contatos

e-mail: bibliotecapaiaia1@gmail.com

fanpage: @bibliotecacomunitariadopaiaia

Tels: 75 999753903 (WhatsApp) 75 34377070

Sobre a Biblioteca do Paiaiá

https://archive.org/details/vimeo-172825635

http://bibliotecadepaiaia.blogspot.com/

https://www.redebrasilatual.com.br/cultura/2017/08/uma-miragem-real-de-livros-no-sertao-da-bahia/