Festa de Santa Bárbara, Salvador (BA), 2007
Wednesday, January 16, 2013
Encontro
Para encontrar respostas, procure-as na natureza, nas dobras da natureza, em seus socavões,
explosões, erupções, choques, erosões, corrosões, desmoronamentos, mortes,
fecundações e nascimentos. Nas ondas e órbitas. E na vida, que germina em todos
os lugares, nos cantos mais escuros. Depois, perscrute o mistério, o impossível e o inexplicável,
que abundam nas leis mais rígidas e em todas as camadas do tempo. Por
último, persiga a intuição, as deduções, os devaneios e as coincidências de
interpretação que jazem nas artes, nas religiões e nos instintos dos que vivem.
Como eles traduzem a experiência? O que há de comum em todas as vozes do mundo? Há verdades tão antigas que o silêncio, sendo cego, pode vê-las quando sonha.
Thursday, November 29, 2012
Thursday, November 15, 2012
O Navio
(Para Kátia Borges)
Sete horas do Brasil
Você dorme como um pai
Um limão que o sol queimou
Um leão que não me viu
À luz mortiça do relógio digital
Um arrepio,
um sibilo, e o silêncio, era um sinal
E eu queria um herói que não mentisse
Um espírito do tempo alumbrado
Me falando que entrou pela janela sem que eu visse
Que eu tivesse mais cuidado com ladrão
Ou então,
Nem tão parecido a um pai,
Você que acorda
E se vira pro outro lado
Mais um suspiro, choro pálido, calado,
O mundo inteiro balançando a sua rede,
O meu navio no seu sonho naufragado
Friday, November 09, 2012
Ecce vacuum
Numa coisa, o homem
puxou a Deus: nada os incomoda mais do que o vazio. Para o homem,
então, vazio é melancolia, tédio, tristeza e é a ameaça de morte
iminente. O silêncio é assustador, o escuro é assombrado. Do nada,
do fundo do éter, o caos nos observa afiando as suas unhas,
escondido. Por que temos esse medo, essa expectativa de que algo vai
brotar eruptivo do vazio? E por que assim, inesperadamente,
intempestivamente, de forma a suprimir todas as outras coisas,
tragando um universo enorme? Quando foi que isso já aconteceu?
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